Eu sou um entusiasta por meios alternativos de transporte, já tive uma época de HPV(human powered vehicles: quadriciclos e triciclos a pedal), e atualmente ando muito interessado em automóveis elétricos.
Mas, compensa ter um? Se o motivo da sua escolha for financeiro, a resposta é um estrondoso “não”.
Vejamos, um modelo híbrido (motor elétrico + motor 2.5 a combustão) do Fusion custa, no Brasil, R$ 133.900,00. O mesmo Fusion, com motor V6 e todos os opcionais custa 107.360,00. São R$ 26.540,00 de diferença, e a versão mais barata ainda tem recursos melhores, como tração integral.
Pensando em automóveis apenas elétricos, temos o problema da autonomia: eles costumam ter autonomia na casa dos 100 km, o que é mais que suficiente pra trânsito urbano, mas inviável pra viagens. Você não pode parar a cada 95km pra esperar 4 horas de recarga, não é mesmo?
Além do mais, eles costumam ser cerca de R$ 30.000,00 mais caros que um modelo semelhante a combustão.
Uma conversão de um automóvel simples pode custar cerca de R$ 15.000,00 (sendo conservador na escolha das peças)
Diante desses fatos, você pode dizer “Ah, mas esse gasto a mais você recupera pelo valor do combustivel”. Sim… Mas perceba que você vai ter que rodar muito pra recuperar o investimento, veja um modelo da “vida real”, no caso, eu:
No periodo de 1 ano eu rodei cerca de 5.400 km ao todo(sim, eu sou um “pouco rodante”). Vou considerar o meu consumo de combustível como sendo o consumo quando eu piso sem dó no meu carro, cerca de 6,5 km/l(só pra tentar favorecer o custo do elétrico). O custo do combustível é cerca de R$ 2,96.
Fazendo essas contas, em 1 ano eu gastei R$ 2.460,00 de combustivel. Pra chegar perto dos R$ 15.000 da conversão mais simples, eu teria que rodar quase 7 vezes mais, cerca de 35.000 km, o que demoraria 7 anos, no meu ritmo. Isso se a gente considerar custo zero de energia elétrica, o que é não é verdade.
A energia elétrica que sai da nossa tomada, tem custo. Claro que sai extremamente mais barato que o custo da gasolina, estima-se que numa conversão basica, o custo por quilometro é inferior a 4 centavos.
Há outros custos envolvidos, as baterias tem ciclo de vida de cerca de 3 anos, dependendo a qualidade das mesmas. O que faz com que se gaste com um conjunto novo de baterias de tempos em tempos(o que pode variar muito dependendo do conjunto de baterias, o mais simples possivel, com baterias de chumbo ácido custam cerca de R$ 2.400,00 o conjunto pra 144v).
No caso do Fusion hibrido, se você andar trechos curtos e com velocidade abaixo de 75 km/h, você utilizara exclusivamente o motor elétrico. A bateria especial desse modelo tem garantia de 8 anos. Só que, obviamente você vai usar o motor a combustão também, o retorno da diferença de dinheiro investido nesse caso extrapolaria os 300.000 km rodados!
Então, financeiramente só compensa ter um automóvel elétrico hoje se você for um grande “rodador” e não pretende trocar de carro tão cedo, pra recuperar o valor investido em forma de economia com combustivel. Pra grande maioria das pessoas, financeiramente não compensa.
Agora, o outro lado da moeda: se você é um entusiasta.
Bom, deve ser extremamente prazeroso converter um VW refrigerado a ar(Fusca, Brasília, Variant, Kombi) pra operar com motor elétrico. Uma conversão boa, incluindo ar condicionado custará em média R$ 18.000,00 a R$ 20.000,00(se você achar todas as peças no Brasil), mais o custo da compra do carro e da reforma que você certamente vai fazer pra deixar seu carro confortável e bonito(acionadores de vidros elétricos, travas especiais, um trato na tapeçaria, console, painel, instalação de ar-condicionado, mudanças estéticas modernizadoras do visual externo do carro), você deve gastar ao todo de R$ 30.000,00 a R$ 35.000,00.
O preço de um carro tosco popular. Olhando por esse lado, considerando que você é uma pessoa que gosta de carros, entre um Uno, Palio, Ka ou qualquer coisa desse tipo, e uma modificação bacana num carro antigo, você preferirá a segunda opção. E uma motorização elétrica adiciona um grau de excentricidade único, além de, pra uso urbano, tornar o carro mais ágil(motores eletricos costumam ter arrancada mais rápida, por conta do alto torque em qualquer regime de rotação).
Então, compensa ou não?
(via Stay-at-Home Creature Comforts for the Cinephile Breed | The Beautifulist)
Não basta ter dinheiro, tem que ter bom gosto!
Texto antigo, publicado originalmente na revista virtual Tsctsctsc em 2004.
Bom, sou programador, e a vida me presenteou com a possibilidade de trabalhar em casa. É fantástico poder trabalhar de bermudas e chinelo! E poder “ir buscar um cafezinho” então! Abrir a geladeira e tomar leite a qualquer hora, poder ver trechos das olimpíadas/copa/whatever na TV… Enfim, as vantagens são inumeras!
Porém, certo sábado, amanheci com uma dor de cabeça infernal… Coisa pesada. Minha esposa me medicou, pediu pra eu descansar e tal. Minha sogra foi mais fundo na observação do descanso: “É… tem que parar com aquele joguinho o dia inteiro!”.
Joguinho? Bom, sentado a frente de um computador, em casa, de bermuda e chinelos realmente pode parecer isso, embora ela saiba que eu sou programador e que trabalho em casa, etc, etc… Isso realmente me deixou enfurecido, e pude ver porque eu sempre fui tão atrapalhado(pela sogra, as vezes pela esposa) durante o trabalho diversas vezes:
- Acabou o gás! Wagner, vai buscar um gás pra fazer o almoço!
- Aninha(minha filha), vai lá no escritório do papai enquanto a vovó estende a roupa.
Triiiin-triiiin: - Alo -Alo, oi, eu vou sair do serviço daqui a pouco, você pode(largar todo seu trabalho, no qual você está concentrado sobre como aplicar melhor o algoritmo que você esta desenvolvendo durante horas, pra) vir me buscar?
E o pior de tudo é que, pelo menos pelo lado da minha esposa, esse comportamento não é voluntário… É subconsciente: está em casa, logo, não está trabalhando.
Bom, mudei alguns hábitos no trabalho(além de chamar a atenção do povo de casa quanto ao assunto). Agora me “visto pra trabalhar”, fecho a porta do escritório(que na verdade é um quarto de empregada, com minhas mesas e computadores dentro), e só saio na hora do almoço. As interrupções reduziram bastante!
Texto antigo, publicado originalmente na revista virtual Tsctsctsc em 2004.
Quem é que não tem dívidas?
Bom, houve uma época em que não tive. Quando eu não tinha conta no banco, nem cartão de crédito. Eu trabalhava de auxiliar de escritório, ganhava uma merreca, e mesmo assim comprei bicicleta(uma das bicicletas de série mais caras), Geladeira pra minha mãe(também das melhores da época), um sonzinho pra mim, computador, acessórios e upgrades pro computador, pagava a faculdade, comprava equipamentos pra minha banda(amplificadores, efeitos e microfones), tinha uma assinatura de jornal, que pagava por boleto bancário(assim como meu acesso a Internet - naquela época nao tinha internet grátis), comprava 1 ou 2 CDs por mes, enfim, mesmo com o salário de um auxiliar de escritório, eu tinha as coisas, e não tinha dívidas.
Meu primeiro cartão de crédito: Bom, como auxiliar de escritório, me eram designadas tambem tarefas de office-boy, ou seja, ir ao banco todo dia, e algumas vezes, mais de uma vez ao dia. Numa dessas idas, fui abordado na saida por uma moça. “-Você já tem o cartão Bracard Visão MasterPaper*?”. “-Não, não tenho sequer conta no banco…”. “-Mas não precisa, basta você assinar a revista Era*…”.
Fui envolvido pela conversa da moça e adquiri o cartão. Estava tudo sob controle, meses com o cartão, usando-o apenas para pagar a revista, comprar uns CDs… E sempre pagava o valor integral no dia do vencimento… eu continuava sem dívidas. Até que…
Bom, aconteceu uma emergência familiar, e precisavamos de dinheiro, claro que esse dinheiro poderia ter sido conseguido por uma consulta a membros da familia, como sempre era feito… pegava-se um pouco do tio X, um pouco do Avô Y, um pouco da Sobrinha Z e tudo estaria resolvido, alguns meses depois Tio X, Avô Y e Sobrinha Z estariam com seu dinheiro de volta, e ninguém com dívidas. Mas a facilidade de crédito do MasterPaper foi tentadora, afinal, pra que incomodar outros membros da família se a solução estava dentro da minha carteira?
Enfim, todos sabem o que aconteceu com esse crédito: juros, pagamento mínimo estipulado, divida aumentando, aumentando… Só foi quitada quando troquei de emprego, após muito tempo, sem comprar tudo o que estava acostumado.
Esse foi o primeiro Crash do Stormbringer, hehehe… Depois, bom, a vida obrigou que eu abrisse uma conta bancária!!! E pior, me deram um limite de crédito e outro cartão de crédito JaúCard*, e poir ainda: outro aperto, outra vez envolvido na armadilha do sistema bancário…
Eu já estou decidido, assim que conseguir novamente pagar as dividas, vou voltar a era medieval, e fazer do meu trabalho uma renda só minha, sem pagar pros folgados do sistema especulativo que ganham dinheiro com a labuta alheia.
*Nomes fictícios para não propagandear esses PMVs
Texto antigo, publicado originalmente na revista virtual Tsctsctsc em 2004.
Tudo pronto: o café sobre a mesa, as mãos sobre o teclado, um Hard-Rock antigo de fundo… Oito da manhã, os passaros cantando… MALDITO passarinho, atrapalhou o solo do Blackmore!!!!
Tem dias que a gente acorda, e parece que nada vai ser resolvido a nosso favor… Esse é o dia em que o PMV(Pelotão da má vontade) está de prontidão.
Após amargar numa longa fila(e após várias filas que ao final diziam: é no guichê X ou Y), pra pagar impostos, finalmente chega a sua vez. Você apresenta os documentos, o funcionário olha pra você, dá um sorriso irritante e diz:
- Isso aqui é no guichê ao lado.
Você olha o guichê ao lado, sem fila e sem atendente:
- Mas não tem ninguem lá!
- Claro que tem, eu cuido daquele guichê.
- Então você pode resolver isso pra mim
- Não, porque agora eu estou aqui.
PMV rides again!!! Esse caso aconteceu em São Paulo com um amigo meu e exemplifica muito bem que quando uma pessoa não quer trabalhar, não adianta. É lógico que a mão do camarada passou por aquele buraquinho redondo do vidro e pegou o cara pelo colarinho, o problema foi resolvido e ele voltou pra casa quase satisfeiro, mas que a situação é desagradável, ninguém nega.
Querem outro exemplo, de uma vertente diferente? Lá vai:
Liguei, pela manhã, pra um “faz-tudo” aqui da região, estou morando em Goiânia… A Odisséia Goianiense de um Paulistano! (Hum, isso dá assunto!) Bom, pedi ao “faz-tudo” que fizesse uns serviços de marcenaria e na instalação elêtrica de casa. Ele disse que passaria as 16 horas.
Já eram 18 horas, ou quase 19, e nada do cara aparecer! Liguei pro celular dele:
- Ah, é que tá muito calor, parei aqui no bar e tô tomando uma cervejinha…
Aham! Tá que eu iria deixar um bêbado mexer na minha fiação elétrica com a luz do sol esgotada!
A concorrência e a competição levam a excelência. Pois é, a falta delas levam a formar soldados do PMV!
Bom, quase 8h30, o passarinho foi embora, o CD tá quase no fim (que pena que esses álbuns antigos são tão curtos) e o café já desapareceu no segundo parágrafo. Acho que é hora de acabar esse texto, afinal, era pra ser só uma introdução.
ta na hora de abandonar alguns ícones…
Só se você deixar de falar “discar” ao ligar pra alguem no telefone, qual foi a última vez que você viu um telefone de disco fora do museu? :D
“Em média, os indivíduos de QI alto caem no sono à 1h44 - uma hora mais tarde do que os burros. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade de Londres, que analisou os hábitos de 20 mil pessoas. Segundo os cientistas, ficar acordado até tarde é…
PEssoas com QI alto tambem desenvolvem depressão mais fácil… Sei lá, sempre me parece que QI e QE não caminham de mãos dadas… Quando caminham, temos pessoas REALMENTE inteligentes :D
(Source: helo-lo)
Charles Babbage. Eu sou fã do cara. Talvez por conhecer seu “fracasso em vida”, eu odeie pensar em começar algo antes de terminar o anterior.
As pessoas não entendem que apostas viscerais vencedoras, como Google e Facebook são exceções, não regras. Eu não me animo em apostar em algo que TALVEZ seja brilhante, negligenciando o “básico que sei que dá certo”.
Charles Babbage, um entusiasta, tinha idéias brilhantes. Mas antes de concretizar uma idéia, tinha outra mais brilhante, e, em vida, não terminou nenhum dos seus grandes inventos… Seu “entusiasmo” em começar a fazer “a versão melhor” antes de terminar alguma é, pra quem lê sobre ele, irritante a ponto de querer voltar no tempo dar um soco na sua cara, dizendo “homem, termine o que você começou!”.
Eu gosto de terminar. Eu gosto de falar “está pronto!”. Além disso, eu desanimo de trabalhar em algo que a chance de ser um sucesso independe da qualidade do produto, e é o ultimo grão de areia do topo da pirâmide.








