Texto antigo, publicado originalmente na revista virtual Tsctsctsc em 2004.
Bom, sou programador, e a vida me presenteou com a possibilidade de trabalhar em casa. É fantástico poder trabalhar de bermudas e chinelo! E poder “ir buscar um cafezinho” então! Abrir a geladeira e tomar leite a qualquer hora, poder ver trechos das olimpíadas/copa/whatever na TV… Enfim, as vantagens são inumeras!
Porém, certo sábado, amanheci com uma dor de cabeça infernal… Coisa pesada. Minha esposa me medicou, pediu pra eu descansar e tal. Minha sogra foi mais fundo na observação do descanso: “É… tem que parar com aquele joguinho o dia inteiro!”.
Joguinho? Bom, sentado a frente de um computador, em casa, de bermuda e chinelos realmente pode parecer isso, embora ela saiba que eu sou programador e que trabalho em casa, etc, etc… Isso realmente me deixou enfurecido, e pude ver porque eu sempre fui tão atrapalhado(pela sogra, as vezes pela esposa) durante o trabalho diversas vezes:
- Acabou o gás! Wagner, vai buscar um gás pra fazer o almoço!
- Aninha(minha filha), vai lá no escritório do papai enquanto a vovó estende a roupa.
Triiiin-triiiin: - Alo -Alo, oi, eu vou sair do serviço daqui a pouco, você pode(largar todo seu trabalho, no qual você está concentrado sobre como aplicar melhor o algoritmo que você esta desenvolvendo durante horas, pra) vir me buscar?
E o pior de tudo é que, pelo menos pelo lado da minha esposa, esse comportamento não é voluntário… É subconsciente: está em casa, logo, não está trabalhando.
Bom, mudei alguns hábitos no trabalho(além de chamar a atenção do povo de casa quanto ao assunto). Agora me “visto pra trabalhar”, fecho a porta do escritório(que na verdade é um quarto de empregada, com minhas mesas e computadores dentro), e só saio na hora do almoço. As interrupções reduziram bastante!